Entenda como se dá a retomada da economia pelo crédito imobiliário

Economia pelo crédito imobiliário

Embora a recente queda na economia provocada pela pandemia de COVID-19 tenha gerado estragos no mercado financeiro, a oferta de crédito imobiliário parece resistir bem. Desde 2019, os prognósticos para o setor são favoráveis e, se o atual quadro de recessão em função do coronavírus não evoluir, essa curva de crescimento tende a se acentuar.

Gestores e profissionais do setor imobiliário devem ficar atentos para aproveitar a “crista da onda” enquanto ela durar. Por isso, e para ajudar você a compreender melhor o atual cenário, destacaremos neste artigo o que de mais relevante tem acontecido. Vamos em frente?

Como se encontra o setor imobiliário hoje?

O recente boom do mercado de crédito imobiliário tem início em meados de 2019, quando o Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) registrou crescimento de 33,3%. Foi a partir de então que se configurou um quadro de crescimento para o longo prazo.

Esse impulso, na verdade, tem como molas propulsoras a inflação baixa e a redução das taxas de juros, da qual falaremos em detalhes mais à frente. O contexto favorável para vender no mercado imobiliário, por sua vez, leva ao otimismo em relação à recuperação da própria economia brasileira como um todo. 

Afinal, esse é um segmento que é sempre um termômetro. Quando as coisas vão bem para as imobiliárias e incorporadoras, provavelmente outros setores também devem melhorar suas respectivas performances.

Veja na sequência que motivos levaram ao quadro em que estamos hoje e de que forma cada um deles contribui para a retomada do crédito e do financiamento.

Juros competitivos

No final de 2019, a taxa média de juros para o crédito imobiliário bateu o recorde mínimo da série histórica do Banco Central, registrando 8,65% ao ano. Pode não parecer muito, mas, de acordo com a Associação Brasileira das Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), qualquer queda nessa taxa equivale à entrada de mais pessoas no mercado. 

A estimativa, nesse caso, é de que cada redução de 1% na taxa de juros leve à inclusão de cerca de 2,8 milhões de famílias ingressando com pedidos de financiamento. Isso leva a concluir que o mercado cresce 16% sempre que a taxa de juros cai em 1 ponto percentual.

Crescimento da contratação de crédito

Essa redução pode acarretar aumentos ainda mais expressivos na contratação de crédito. Segundo a Abrainc, a recente diminuição dos juros levará ao aumento do mercado como um todo e, em especial do segmento de Médio e Alto Padrão (MAP). Só nessa fatia, a entidade estima um crescimento de 20% no total de famílias com perfil compatível para abertura de financiamento.

A título de exemplo, com as taxas na casa dos 8%, tornaram-se elegíveis para abrir crédito 4,4 milhões de famílias. Caso essa queda tivesse chegado aos 7%, esse total alcançaria cerca de 5,3 milhões e, se os juros diminuíssem ao patamar de 5%, mais de 7 milhões de famílias estariam aptas a contratar crédito imobiliário.

Mais empregos gerados

Além dos prognósticos positivos da Abrainc, outra entidade, a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), tem bons números para ilustrar o crescimento do setor de imóveis. 

Segundo essa entidade, outubro de 2019 marcou o início de um período de recuperação e crescimento do setor imobiliário, depois de um longo inverno amargando perdas sucessivas. Isso porque foram gerados, até aquele mês, 124 mil novos postos de trabalho em função do novo momento do mercado imobiliário.

O artigo destacado no link reforça, ainda, o que apontamos no segundo tópico sobre a recuperação do segmento de imóveis ser uma referência para a economia. Nesse sentido, a CBIC ressalta o crescimento de 4,4% do segmento imobiliário acumulado no ano passado, um dos maiores dentre os principais setores da economia brasileira.

Investimentos em construção

Com a recuperação em curso, a CBIC também estima que, até o fim de 2020, sejam gerados entre 150 e 200 mil novos postos de trabalho no setor de construção civil. Isso significa mais imóveis sendo erguidos, o que por sua vez equivale a mais postos de trabalho em funções como vendas, marketing e administrativo.

Os investimentos levaram, inclusive, a puxar o PIB brasileiro para cima no ano passado. É o que mostra uma pesquisa do IBGE, publicada na revista Valor. Os números apontam para crescimento de 1,6% nos investimentos no setor de construção civil.

Influência de bancos públicos e privados

A queda nos juros também pode ser creditada a uma espécie de “competição” entre as instituições bancárias brasileiras. Depois do anúncio da redução da Taxa Básica — que veremos no próximo tópico — bancos públicos e privados realizaram cortes nas suas taxas em sequência.

A Caixa Econômica Federal (CEF), por exemplo, diminui 1 ponto percentual as taxas de juros em financiamentos utilizando os recursos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimos (SBPE). Assim, o banco passou a trabalhar na faixa mínima de 7,5% ao ano e na máxima de 9,5% ao ano. 

O Santander, por sua vez, seguiu essa tendência, chegando ao índice mínimo de 7,99% ao ano para o crédito imobiliário. Outros bancos que acompanharam essa onda de redução foram o Banco do Brasil, que estipulou taxa mínima de 7,4%, e o Itaú, com 7,45%.

Redução da taxa básica

O quadro de crescimento pode ser creditado principalmente à redução da Taxa Selic, ou Taxa Básica, como é também conhecida. Em 2019, ela foi reduzida a 5%, a menor desde 1999. Na sequência, outras reduções foram anunciadas, chegando então a 4,25%. 

Se por um lado isso reduz a rentabilidade em ativos financeiros, por outro é um fator de estímulo para o segmento de imóveis. Afinal, diferentemente das aplicações em poupança e ações, que ficaram paradas, o dinheiro que circula no mercado imobiliário acaba por estimular o crescimento em um efeito cascata.

Assim sendo, espera-se que, a despeito do momento de incertezas em virtude da pandemia mundial de COVID-19 e da crise econômica associada, a economia brasileira siga crescendo em 2020. O aumento na oferta de crédito imobiliário é o grande impulsionador para isso e quem ficar atento à sua evolução nos próximos meses certamente terá bons resultados.

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